Os três pilares da educação finlandesa

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O sistema educacional finlandês, assim como em qualquer país,  é formado por três pilares:

  • A Sociedade,
  • O Modelo Estrutural e a
  • Filosofia Metodológica que permeia a escola e suas especificidades dentro das suas lógicas e ações.

Vemos estes mesmos pilares no Brasil e em qualquer outro país e é estudando estes três componentes básicos que podemos perceber quais as possibilidades de se “importar” um modelo já existente de outro país e procurar sua aplicabilidade no nosso.

Vamos ver cada um destes pilares separadamente:

– A sociedade

Quando falamos em Sociedade é fácil compreender do que se trata, pois é um conceito muito conhecido e amplamente divulgado em nossos discursos diários. Compreende o ambiente social, cultural e físico, vislumbrando a situação sócio-econômica e educacional da comunidade como um todo. No caso a base do sistema de bem-estar da sociedade finlandesa está configurada em conhecimento e competência, calcada num fator de grande importância que é a igualdade.

Podemos estudar mais a fundo a sociedade que desenvolvolveu o modelo educacional conhecido como um dos melhores do mundo. Encontraremos em sua história e em suas práticas curiosidades e peculiaridades que certamente serão muito distante da nossa realidade. Antes de cobiçarmos um sistema social semelhante que funcione em prol do cidadão dando a sua população um sistema conhecido como “bem-estar social”, é importante compreendermos que ela foi desenvolvida por milhares de mentes que possuem um pensamento formal lógico diferente do nosso. Seja pela situação histórica, seja pela genética ou clima, seus paradigmas são distintos e suas ações encontram respaldo num campo já estabelecido e estável.

Nossa sociedade passou por outros caminhos e tem suas lógicas de ação baseada no que nos foi preciso historicamente para trilhar estes caminhos. Segundo a lei da física do movimento ascendente, nós deveríamos progredir constantemente e chegarmos eventualmente a um nível de sociedade igualitária e evoluída como a Escandinávia.

É difícil dizer quanto tempo levaremos, nota-se que muitos aspectos já se modificaram, muito se construiu mas temos um caminho longo. Nossos paradigmas também precisam ser reformulados, afinal, como dizia Buda: Somos o que pensamos!

Infelizmente, este quesito não pode ser copiado, uma sociedade não se transplanta de um lugar para outro. Ela tem que nascer de movimentos expontâneos do seu povo. Podemos nos inspirar em certas práticas das sociedades que conseguiram chegar a este estado de bem-estar social, mas não podemos copiar seus métodos.

– Modelo Estrutural

Compreende a parte física e institucional, como se fosse as bases de um prédio. É a situação física da escola; são as condições da edificação, dependências, espaços para atividades pedagógicas e de lazer, biblioteca, estado de conservação, conforto ambiental a adequação das salas de aula, etc.

Estes elementos podem ser “copiados” e transplantados para qualquer realidade e qualquer país, pois eles dependem exclusivamente de recursos e um bom plano organizacional.

Muitos países tem modificado suas intalações escolares com base na infraestrutura finlandesa. A Arábia Saudita contratou arquitetos da Finlândia para construir escolas com arquitetura finlandesa em seu país, acreditando que um ambiente aberto e agradável ajudaria seus alunos a sentirem-se melhor e obterem melhores resultados.

No Modelo Estrutural, também entra os recursos humanos e materiais, a gestão da escola, a organização da escola e do ensino e os estatutos e o curriculo que a caracteriza. Tudo que é comum a todas as escolas finlandesas e as diretrizes que são encaminhadas pelo MEC.

Estes aspectos também podem ser integrados em nossas escolas e certamente teremos mais organização e uma gestão muito mais eficiente.

No entanto, apesar da possibilidade da implantação exata da parte estrutural em nossas escolas, não é este pilar que define o modelo educacional finlandês e tão pouco é o responsável pelos excelentes resultados que a Finlândia obtem no PISA.

Em primeiro lugar qualquer modificação vertical imposta pelo governo não irá funcionar, pois custou anos de construção conjunta para que a Finlândia chegasse a este modelo estrutural. Melhoraria muito com certeza nossas condições de prática de ensino em ambientes melhores e com recursos, mas isto não garantiria aos nossos alunos melhores resultados cognitivos na aprendizagem.

O modelo tem seu peso na sua filosofia metedológica e para isto, não precisamos nos transvestir de finlandeses. Infelizmente, muito do que vem sendo feito até agora está concentrado neste segundo pilar enquanto que a verdadeira mudança está no pilar que vem a seguir.

– A Filosofia Metodológica 

Compreende a dimensão ética e social do ato de ensinar. É o pilar mais importante e o mais difícil de ser compreendido quando analisamos um sistema escolar de outra cultura, seja ela qual for. No entanto, é este último pilar o responsável quando um modelo externo é transferido de uma sociedade para outra. Neste sentido, estamos lidando com o estudo da “psique” de um determinado povo, que a luz da psicologia e pedagogia, teremos que desvendar para conhecermos os verdadeiros componentes que levam aos elementos de sucesso da escola finlandesa.

O Modelo Estrutural em suas diretrizes pode ser facilmente incorporado em outro país, porém não resultará em nenhum progresso efetivo sem a devida tradução e aplicabilidade do terceiro pilar. Para conseguirmos perceber esta aplicabilidade necessitamos de “intérpretes”, mediadores que tenham experenciado as duas culturas escolares e sejam capazes de configurar e repassar uma análise mais profunda e precisa das metodologias. Neste caso o objetivo principal para se alcançar o sucesso é transformar a teoria em prática.

Este terceiro pilar é o “ponto cego” dos programas de visitas que são feitas pelos docentes brasileiros na Finlândia. Os finlandeses não estão preparados para compreender outras culturas e seu plano de esclarecimento para os visitantes é o mesmo para qualquer país. Diante desta incapacidade de estar provendo os elementos mais importantes para cada país específico é natural que as palestras finlandesas se concentrem no segundo pilar e não no pilar mais importante que é o terceiro.

Realmente é difícil conseguirmos desvendar o terceiro pela dificuldade de encontrarmos docentes capacitados que tenham em seu currículo experiência suficiente nos dois países para então, conseguir traçar um plano de aplicabilidade.

Como solução e investimento para que possamos nos apropriar dos verdadeiros saberes e conseguirmos importar o modelo com melhor taxa de aplicabilidade, teríamos que ter um programa de intercâmbio entre as escolas. Professores brasileiros deveriam estar presentes nas escolas finlandesas como observadores ou auxiliares no mínimo um ano. Ou docentes experientes finlandeses que tivessem tido experiência também em escolas brasileiras. Este sem dúvida é o maior investimento, principalmente porque ele demanda tempo e não traz resultados rápidos.

A intenção deste artigo, obviamente, não é dar uma solução a esta questão, mas sim esclarecer o pensamento errôneo de muitos projetos brasileiro/finlandeses que se concentram em investir seus esforços ou contratar especialistas que estudarão apenas o segundo pilar. Gerando, por conseguinte, frustração.

Devo dizer ainda que importar o modelo estrutural é mais dispendioso e menos eficaz do que investir no terceiro pilar que pode iniciar suas ações pedagógicas quase que sem custos em qualquer sala de aula de qualquer escola, basta o professor ter sido introduzido nas bases filosóficas e metodológicas das escolas finlandesas e obter uma mudança gradual de seus paradígmas enquanto educador.

De qualquer forma, é importante buscarmos soluções para o problema da educação brasileira. Já vimos que as teorias e os discursos não auxiliam o docente no seu dia-a-dia de sala de aula. Temos que aprender a pensar um pouco mais objetivamente e aí está um caminho: O finlandês é muito objetivo e pragmático! Quem sabe não trocamos nossas “belas palavras” por um pouquinho de prática?!

A ARQUITETURA É REALMENTE MARAVILHOSA

As escolas modernas são construídas aproveitando o máximo de claridade possível. Por causa dos longos e escuros invernos se investe em janelas grandes e muita iluminação para evitar os ambientes escuros que possam causar depressão e desânimo aos estudantes. Abaixo a moderna escola de Saunalahti em Espoo (grande Helsinki) com um pouco mais de 750 alunos. Esta escola foi projetada por arquitetos e é um dos orgulhos finlandeses.

Evelyse Eerola

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