As preferências dos finlandeses estão ligadas ao seu grau cultural

Middle Aged Woman Reading Magazine On Sofa

NO PAÍS COM ZERO DE ANALFABETISMO ATÉ OS OPERÁRIOS SÃO LEITORES ASSÍDUOS!

Esta é uma interessante pesquisa feita pela universidade de Helsinque que se transformou inclusive num livro, sobre as diferenças de grau de cultura dos finlandeses como geradora das suas preferências.Os resultados surpreenderam e o subtítulo acima foi o que chamou mais atenção.

Ainda na década de 80 não havia uma grande distância entre os gostos mais populares e os mais refinados dos finlandeses. Nesta época todos, praticamente escutavam a mesma estação de rádio e gostavam das mesmas músicas, as diferenças entre classes eram menores do que hoje em dia.

Era de se esperar, no entanto, que com o aumento das diferenças sociais entre as classes os gostos dos finlandeses ganhassem cada vez mais distância, assim como é comum em qualquer sociedade.

Na verdade, os finlandeses continuam com a simplicidade de antes. Os mais instruídos leem os livros clássicos mas também se interessam pelos livros de bolso com histórias populares que se compram nos kioskes, eles comem sushi mas não rejeitam a famosa makkara (salsicha finlandesa), gostam de ópera mas também se divertem em bares de karaokê.

Os especialistas dizem que a cultura se subdividiu em tantas camadas e pelo fato do finlandês nunca ter sido elitista, os gostos refinados não são motivo de status de minorias com melhor poder aquisitivo.

As pesquisas mostram que o finlandês sabe distinguir o que seria cultura popular de cultura de nível acadêmico, só que isto não é um gerador de preferências. A opera, por exemplo, é para quem realmente gosta e se identifica e não um compromisso social enfadonho, mas necessário.

Em relação a música a pesquisa não mostra nada que já não soubessemos, a classe popular prefere as musicas populares em finlandês que sejam fáceis de cantar e a classe alta frequenta a aprecia música clássica e opera. Entre os jovens gostar e frequentar concertos de rock é unanimidade.

Quanto ao livros, segundo a pesquisa, todos os finlandeses leem muito, logicamente a elite acadêmica tem o hábito mais frequente e prefere os clássicos. O finlandês menos instruido, com nível de estudo técnico prefere romances de aventura e policiais.

Perguntado para a classe popular sobre o hábito de leitura, aí vem o aspecto mais impressionante da pesquisa – todos disserem ler e todos concordaram que era preciso ler mais. Conclusão: a importância do hábito da leitura na Finlândia é unânime, não importando de que classe econômica ou social venha o leitor.

A pesquisa comparou este finlandês com baixo grau de instrução com o inglês na mesma faixa econômica, as disparidades foram incríveis. A distância cultural entre as classes privilegiadas e as mais pobres na Inglaterra são muito maiores que na Finlândia. Muitos operários ingleses relataram na pesquisa nunca terem lido um livro sequer em toda sua vida e não acharem a leitura de maneira nenhuma um hábito importante.

O interessante é que esta parte da população britânica nem sequer tinha uma opinião formada em relação a opera ou arte performática, por não conhecerem! Enquanto que um finlandês, dos menos instruídos, tem uma opinião formada sobre o assunto e até consegue explicar o seu ódio pela opera ou exibições de arte moderna. Como é preciso conhecer para falar mal, a conclusão é que o finlandês pelo menos sabe do que está falando.

Os finlandeses conhecem a cultura de elite muito melhor do que os britânicos, pelo menos são detentores da informação, pois já tiveram contato na escola com todo tipo de representação cultural.

Todos os entrevistados conheciam Aki Kaurismäki, o famoso produtor de cinema, assim como todos conheciam Pedro Almodovar e disseram que valia a pena assistir seus filmes.

Quando perguntado sobre a TV, esta não foi considerada como cultura e até os finlandeses de classe popular disseram que não se deve ver ou deixar as crianças assistirem demais.

Big Brother foi considerado por todos como legítima demostração de mau gosto. Finlandeses de mais nível cultural não assistem de forma alguma e entre os de baixa renda, alguns reconheceram assistir algumas vezes mas mesmo assim todos concordaram em se tratar de um programa ruim e sem conteúdo.

Quando perguntados por seus hobbies, toda nação unanimemente responde que pratica algum tipo de esporte e que este tempo é bem empregado porque reverte em mais saúde e energia. Mesmo aqueles que se dizem não praticantes incentivam seus filhos e tem a noção clara da importância de se exercitar regularmente.

Entre homens e mulheres apareceu uma diferença que acusou que as mulheres são mais interessadas na cultura e em participar de atividades culturais do que o sexo masculino.

Em relação a vestimenta a Finlândia pode ser considerada um dos países mais democráticos da Europa. As pessoas se vestem como querem não se importando se amarelo vai combinar com verde ou se determinada roupa está ou não na moda. O próprio finlandês diz que todos os estilos são válidos e é muito apreciado a pessoa ter o seu próprio estilo. Mesmo os representantes da classe mais alta dizem não se importar com a roupa do vizinho.

Em relação a comida, claro existem diferenças de gostos e geralmente as classes mais altas que viajam mais, têm uma cabeça mais aberta para experimentar novos sabores e apreciar a combinação certa do vinho com a comida. O finlandês comum prefere a cerveja e não gosta muito de variar o cardápio.

Mesmo assim, a maioria come no seu local de trabalho. O refeitório do trabalho ou escolas são um exemplo de igualdade, a comida é a mesma para todos e trabalhadores sentam junto com seus superiores, professores e reitores com o pessoal da limpeza. Não existe área VIP!!

Claro que as pessoas são diferentes e quanto mais se estuda mais se abre a perspectiva para novas possibilidades, por esta razão as pessoas buscam afinidades com pessoas do seu próprio nivel. Felizmente na Finlândia esta diferença cultural tem seus atenuantes na própria noção de igualdade que a sociedade vive e prega.

Infelizmente o dito “gosto refinado” pode ser usado como uma arma que levanta um muro entre uma elite que “não quer se misturar” com o cidadão mais simples que não teve a necessidade ou a possibilidade de experimentar certos refinamentos.

A Finlândia tem mudado muito e, infelizmente, nesta caminhada muito preceitos éticos têm ficado pelo caminho em nome da modernidade, muito já se tem debatido sobre isto. Onde estão os verdadeiros valores finlandeses? Mas mesmo assim, olhando com os olhos de estrangeira, que vem de uma sociedade altamente elitizada e preconceituosa, a Finlândia ainda pode se orgulhar sim do seu caráter de igualdade.

Mesmo que aquele pedreiro diga que odeia opera, ele já teve oportunidade ou de aprender sobre ou de assistir nos seus tempos de escola, isto é democracia, todos terem o direito a mesma informação!

Infelizmente, a pesquisa falha por não perguntar sobre as mídias sociais e jogos eletrônicos. Mesmo assim traz resultados muito interessantes.

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