Finlândia na era dos Robôs

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  O que você acha da ideia de robôs como auxiliares no processo pedagógico? Muita gente se espantaria em saber que os robôs já estão presentes na escola finlandesa. Afinal, um dos grandes desafios da humanidade é lidar e tirar proveito das tecnologias A Finlândia é conhecida por ter um dos melhores sistemas de ensino do mundo, dados revelados pelas pesquisas do PISA. A tecnologia geralmente está presente na sala de aula e são utilizadas para melhorar os processos pedagógicos. O professor finlandês conta com toda a infraestrutura para o apoio necessário as suas práticas diárias.

Apesar disto, ainda a escola finlandesa dá mais ênfase ao ensino tradicional, afinal a tecnologia está a serviço da metodologia, ela não é a metodologia em si. O professor é a figura central do processo de aprendizagem e por gerações e gerações vem assumindo o papel de protagonista. Porém, nos encontramos em fase de transição e devemos reavaliar nossas práticas e valores enquanto docentes. Afinal, novas tecnologias já estão mudando o ambiente escolar e isto faz com que haja a necessidade de repensar a estrutura da escola e os modelos pedagógicos. Muitos finlandeses já estão com o olhar no futuro e procurando novas formas, não somente de ensinar, mas de reavaliar os caminhos do “aprender”. Graças a este pensamento de vanguarda, surgiu a ideia de trazer a tecnologia que era estudando apenas na universidade para o dia-a-dia das escola e surgiu uma pergunta: De que maneira podemos fazer uso da robótica, por exemplo, para apoiar o ensino e aprendizagem em uma escola inovadora? Não tem como apresentar esta ideia sem ver os olhos de espanto das pessoas, a palavra robô ainda nos remete aqueles filmes de fixão onde os carros voavam e todos usavam roupas prateadas. Será que estamos preparados para os robôs? O Centro de Aprendizagem Innokas localizado em Espoo, juntamente com a Secretaria de Educação de Helsinki, procura trazer o mundo da fixão para a realidade escolar já há três anos. A ideia é tornar a escola inovativa a ponto de as novas tecnologias estarem presentes como auxilio à aprendizagem diária. Atualmente são 60 escolas em toda a Finlândia que fazem parte do projeto e dedicam dez horas do seu currículo para incluírem a contrução e criação dos robôs como um projeto interdisciplinar. Isto é possível porque  a escola finlandesa tem a liberdade de  definir as especificidades do currículo, levando em conta o seu perfil, ou seja, a área ou disciplina de mais destaque. Desta forma, as escolas que já incluiam a tecnologia aplicada à educação foram as primeiras a adeririem à ideia. Assisti uma apresentação no shopping da minha ciadade, em Espoo, sobre o projeto da Innokas em relação a levar a tecnologia de contrução de robôs para a saula de aula. A apresentação foi feita com dois protótipos de marca francesa já desenvolvidos com a mais recente nanotecnologia. No envento estavam presentem três escolas e os alunos puderam não somente ver como brincar e programar os robôs mediante um programa de computador. Os alunos puderam fazer o robô se mover, utilizando-se de comandos simples como sentar, levantar, andar, dançar, etc. Também puderam programar o fala do robô utilizando um comando de fala que seleciona a língua e os estudantes escreveram em finlandês o que o robô deveria falar. Estes protótipos são cópias perfeitas de um ser humano e podem fazer quase tudo, nos proporcionando  uma visão de como eles podem ser úteis no futuro. Esta ideia é trabalhada com os alunos e o professor que inicia o projeto começa um processo de sensibilização em primeiro lugar. Para que precisamos de robôs? Será que já não convivemos com robôs em nossa sociedade mas não percebemos? É interessante pensar que robôs não são apenas aquelas “máquinas” que parecem com o ser humano, mas nós utilizamos diariamente tecnologia avançada sem nos darmos conta. O Gps que fala comigo no meu carro e me dá a direção exata do meu destino é também um robô. Na verdade a robótica está muito mais presente em nossas vidas do que imaginamos. Então, por que não estar também na escola? Assim, aquela antiga brincadeira de fazer robôs com caixinhas de leite ou com copinhos de iogurte agora virou um projeto real. Adaptando estes materiais a um motor e tendo um software apropriado o robô realmente sai da fixão e ganha vida e movimento pelas mãos dos alunos. Os alunos podem escolher diferentes materiais, o mais comum são os legos, pois possibilitam a criação em diversos formatos. Uma vez que a escola adere ao projeto, ela adquiri o material necessário e os professores interessados recebem um treinamento para orientarem os alunos. A partir daí, cabe a escola e professores desenvolverem novas metodologias que sustentem a ideia do projeto. A principal vantagem é incentivar o raciocínio lógico e a capacidade metacognitiva dos alunos, uma vez que estes são os agentes de todo o processo. Desde a ideia original: o que precisamos e porque precisamos? o caminho: como poderemos fazer, quais os materiais, quais as soluções? e, finalmente a efetuação, a construção do robô que emerge após um longo processo que culmina com uma maior percepção da realidade tecnológica em que estamos inseridos. Os alunos são divididos em pequenos grupos e são incentivados a achar as soluções por conta própria. Os comandos básicos são apresentados mas estes terão que ser combinados, juntamente com o aspecto físico do robô, para que este recrie os movimentos desejados. Desta interação surge um processo colaborativo muito interessante, onde os alunos ensinam aos outros e o professor deixa de ser a figura central. Os alunos são encorajados a buscarem e tentarem novas alternativas, a tentativa e erro são exploradas pelo grupo e disto resulta a ampliação do raciocínio lógico e resolução de problemas. O elemento principal é a criatividade, mas deste ponto, podem ser trabalhados vários temas e competências. O aluno em seu planejamento terá que pensar pela primeira vez na sociedade, saindo do âmbito escolar, uma vez que o seu plano terá que envolver algo que “teoricamente” seria benéfico às pessoas. Poderiam os robôs auxiliarem pessoas doentes, idosos, cegos?? Durante o ano de 2012 e 2013 o projeto envolveu mais de 4000 alunos em toda a Finlândia e mais de 3000 profissionais de educação estiveram de alguma forma envolvidos no projeto. Em relação aos custos, um set inicial mais as licenças para a contrução de 8 robôs custa 2500€. Os computadores necessários a escola já possui e eles são capazes de suportar o programa. O centro Innokas fornece o treinamento aos professores. Cada escola finlandesa tem o seu orçamento próprio, mas a escola que não puder arcar com este bônus mas estiver interessada no projeto tem a possibilidade de requerer este dinheiro da sua cidade. Neste momento o convênio é com os franceses e os protótipos são desenhados por eles. Na medida que a Finlândia conseguir desenvolver as suas próprias pesquisas, certamente o preço será mais acessível e a robótica será introduzida em todas as escolas. Esperamos por isto, embora tenhamos em mente que a qualidade do ensino, seja ela com ou sem tecnologia, será sempre a prioridade da escola finlandesa.

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